quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

‘Império de Roman’: os mistérios do homem que transformou o Chelsea

A faixa estendida atrás de um dos gols do Stamford Bridge em todas as partidas define bem o Chelsea: “O Império de Roman”. Atual campeão europeu, o clube inglês completa nesta temporada o décimo ano de uma parceria que o tirou do escalão mediano do futebol inglês e elevou ao posto de potência mundial graças ao dinheiro de um russo que tem dois adjetivos diretamente atrelados ao seu nome: ousado e misterioso. Se em quase uma década o “imperador” Roman Abramovich já desembolsou mais de 2 bilhões de libras (quase R$ 7 bilhões) para obter sucesso nos gramados e expor seu clube como vitorioso mundo afora, ao mesmo tempo se esconde em uma personalidade extremamente reservada e rodeada de questionamentos e polêmicas.Empresário bem-sucedido no ramo de petróleo e gás na Rússia, Abramovich, de 46 anos, foi apontado pela revista Forbes, em 2012, como 50º homem mais rico do mundo, com fortuna avaliada em cerca de R$ 30 bilhões. O patrimônio foi alavancado, de acordo com muitos, graças a benefícios do governo Boris Yeltsin, na década de 90, quando chegou a ser preso por transações ilegais. A fortuna o levou ao futebol em meados de 2003, época em que resolveu fazer do Chelsea uma mistura de investimento e lazer. Mais do que retorno financeiro, a missão era clara: se tornar poderoso no badalado e glamoroso meio esportivo, livre do passado nebuloso.
Uma década depois, uma evidente história de sucesso foi escrita, mas que pode, logo após atingir a glória máxima, ter um de seus capítulos mais frustrantes definido nesta quarta-feira: pouco mais de seis meses depois de bater o Bayern de Munique e se sagrar campeão europeu, os Blues podem se tornar os primeiros detentores do troféu a serem eliminados na fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa seguinte. Bastaria a equipe de Rafa Benítez não vencer o Nordsjaelland, no Stamford Bridge, ou o Juventus não perder para o Shakhtar, em Donetsk, pelo Grupo E. O GLOBOESPORTE.COM acompanhará o jogo ao vivo, a partir das 17h20m (de Brasília).
O capítulo desta noite, porém, será apenas mais um em um livro repleto de casos de poder, dinheiro, questionamentos, vitórias e decisões abruptas, onde o protagonista sempre foi Roman Abramovich. Empresário sem limites, ao ponto de ter começado sua vida nos negócios vendendo gasolina roubada nas forças armadas soviéticas, ainda nos anos 80, o russo desembolsou mais de 100 milhões de libras para adquirir o Chelsea no começo da temporada 2003/2004. Foi quando teve início uma trajetória pautada em decisões individualistas e no poder aquisitivo, seja qual fosse o preço necessário a ser pago pelo sucesso.Logo na primeira temporada, o bilionário gastou outros 140 milhões de libras na compra de jogadores e levou o Chelsea ao vice-campeonato da Premier League, além de uma inédita semifinal da Liga dos Campeões. Os resultados, entretanto, não eram suficientes, e o que se viu nos anos seguintes foi um investimento cada vez maior atrelado às conquistas dentro de campo. Em nove temporadas, os Blues levantaram 12 troféus (três ingleses, quatro Copas da Inglaterra, duas Copas da Liga, duas Supercopas Inglesas e a Liga dos Campeões da Europa), enquanto Abramovich desembolsou mais de dois bilhões de libras entre reforços, salários, investimentos estruturais e rescisões de contratos. E o sucesso em campo não está diretamente atrelado ao econômico, uma vez que somente ao término da última temporada o clube terminou no azul pela primeira vez sob a “nova” direção.
Para alcançar a glória máxima, no último dia 19 de maio, em Munique, contra o Bayern, nos pênaltis, Roman não poupou dinheiro e também não teve pena de quem ele acreditava ser um empecilho. Se investiu 650 milhões de libras em contratações e outros 1,2 bilhão em salários, o russo gastou ainda 70 milhões somente em rescisões contratuais de treinadores, deixando claro que seu apego ao Chelsea em nada significa o mesmo sentimento por quem lá passa. Comandante atual, o espanhol Rafa Benítez é o nono em número igual de temporadas na gestão Abramovich. E o comandante tem uma posição muito bem definida: interino até o fim da temporada. Frio e objetivo como um homem de negócios muitas vezes deve ser, o patrão tem uma meta: contratar Josep Guardiola em maio do próximo ano.

Fanatismo conquista torcedores


A postura centralizadora e autoritária, por sua vez, não torna Roman Abramovich uma figura antipática. Não ao menos para os torcedores do Chelsea. Gratos ao russo pela reviravolta dos últimos nove anos, quando levantaram mais troféus do que nos 98 anteriores de história (12 a 11), os Blues têm uma relação de adoração com o dono do clube, chegando até mesmo ao ponto de se apegarem aos seus poucos gestos públicos e afetivos, transformando-os em qualidades irrefutáveis.

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