Os torcedores do Atlético de Madri acreditavam que, neste sábado, o
time conseguiria quebrar o longo jejum de vitórias sobre o grande rival.
Desde 1999 os colchoneros não sabem o que é vencer o poderoso Real. O
entusiasmo era tão grande que mais de 20 mil torcedores acompanharam o
último treino da equipe. Mas quem tem Cristiano Ronaldo pode se dar o
luxo de jogar mal o primeiro tempo e ainda assim sair vitorioso no
intervalo após cobrança de falta magistral do craque português. Para
melhorar o enredo, o camisa 7 ainda deu o passe para o segundo gol,
marcado por Ozil, e mandou duas bolas na trave, empolgando a torcida
merengue que lotou o Santiago Bernabéu.
A vitória por 2 a 0, além de manter a longa escrita sobre o rival para
25 jogos sem perder, fez o time, em terceiro lugar no Campeonato
Espanhol, chegar aos 29 pontos e diminuir a diferença para o Atlético,
segundo colocado, para cinco, ao fim da 14ª eodada. Além disso, o Real
mantém em 11 pontos a diferença que o separa do maior rival, o
Barcelona, líder da competição, que goleou o Athletic Bilbao por 5 a 1.
Na próxima rodada, o Real Madrid sai para enfrentar o Valladolid no
estádio José Zorrilla, no próximo domingo. O Atético de Madri receberá,
no Vicente Calderón, no mesmo dia, o Deportivo La Coruña.
Golaço no primeiro tempo
Antes do jogo, os dois treinadores tiveram problemas. Se José Mourinho
ficou irritado com Kaká, Cristiano Ronaldo, Pepe, Arbeloa e Fábio
Coentrão, que chegaram atrasados à concentração do Real, o técnico Diego
Simeone perdeu no vestiário, durante o aquecimento, Filipe Luis, com
problemas no adutor da perna esquerda. No campo, os problemas só
aumentaram nos primeiros 45 minutos.
À exceção de dois bonitos lances do craque português, o clássico
começou decepcionante. Nos primeiros 10 minutos, então, ficou difícil
ver um bom futebol. Merengues e colchoneros travaram duelo nervoso no
meio-campo e, com pouco espaço para criar, erravam muitos passes. Ainda
mais o Real. Pepe e Sérgio Ramos já falhavam na saída de bola. Com um
pouco mais de domínio, o Atlético não conseguia tirar partido. Somente
aos 13 minutos, mais por mérito próprio, obteve o primeiro lance de
perigo. Diego Costa foi à linha de fundo pela direita e centrou para o
perigoso Falcão Garcia. O colombiano se antecipou na pequena área para
bater mas encontrou logo à frente um Casillas atento, que salvou para
escanteio.
O lance custou ao goleiro dores nas costas por toda a primeira etapa. E
deu a impressão de que o Atlético, já um pouco melhor, deslancharia.
Puro engano. É só o camisa 10 do time cometer um erro e do outro lado
ter alguém como Cristiano Ronaldo para tudo mudar. Foi assim quando o
turco Arda Turan, em dividida com o craque português bem antes da
meia-lua, resolveu querer bancar o malandro e tocou a mão na bola para
ganhar a jogada. O árbitro, em cima do lance, marcou a falta. A punição
não foi apenas o cartão amarelo. Na briga com Messi e Iniesta pelo
prêmio de melhor jogador do mundo, o camisa 7 merengue bateu com o
efeito e a categoria de sempre, aos 14 minutos. A velha curva e mais um
golaço na carreira.. Era só correr para o abraço: Real 1 a 0.
Foi o suficiente para os colchoneros se abalarem. Diego Costa, que
lutava muito em campo, se estranhou com Pepe, Sérgio Ramos e Khedira. A
catimba aumentou dos dois lados. Esperteza melhor foi a de Xabi Alonso,
que numa falta rolou rápido para Cristiano Ronaldo tentar, do meio da
rua, surpreender Courtois. Mas o goleiro se espichou para tocar a
escanteio.
Ozil, Di María e Benzema bem que tentavam ajudar o craque português,
mas a marcação colchonera montada pelo técnico argentino Diego Simeone
foi eficiente. O mesmo se pode dizer do lado merengue. Falcao Garcia não
teve nova chance de marcar. E o que mais se viu foram lances
truncados.e os jogadores exagerando de forma acrobática quando sofriam
faltas. Falcao Garcia e o próprio Cristiano Ronaldo que o digam. E o
primeiro tempo terminou com pouca emoção.
Bolas na trave
Precisando vencer para diminuir a diferença em relação ao rival
madrileno na briga pelo segundo lugar, o Real Madrid começou o segundo
tempo com outra cara. Ozil acordou e rolou para Di María. O centro
perigoso encontrou o goleiro Courtois atento na boa saída. E se no lado
do Atlético o brasileiro Diego Costa estava mais preocupado em provocar
Sérgio Ramos com tapas e empurrões, as jogadas do time de José Mourinho
começavam a funcionar. Benzema tocou para Ozil, que tabelou com
Cristiano Ronaldo. O camisa 7 recebeu na meia esquerda e bateu,
prensado.
A jogada acordou a torcida merengue, que empurrou o time. O Real passou
a explorar mais o lado esquerdo. Coentrão se soltou. Cristiano Ronaldo
arrumou espaço por ali. Num lance aos 14 minutos, sofreu falta de
Juanfran. E o camisa 7 quase repetiu a dose. Dessa vez bateu rasteiro,
no meio da barreira. A bola foi no cantinho, mas Courtois, àquela altura
o destaque dos colchoneros, tocou para escanteio.
A atuação do goleiro, no entanto, não evitou o segundo gol do Real.
Mais solto, explorando os espaços deixados pelo Atlético nos
contra-ataques, o time se aproveitou de duas falhas seguidas do
brasileiro Miranda. Na segunda, o zagueiro entregou a bola nos pés de
Cristiano Ronaldo, que tocou para Ozil bater de canhota, por baixo das
pernas de Courtois, aos 20 minutos.
Com Diego Costa preocupado apenas em catimbar, Arda Turan apático e
Falcao Garcia isolado, ficou difícil para o Atlético de Madri reagir.
Enquanto isso, Mourinho tentava melhorar o Real ao trocar Di María por
Callejón, que bateu cruzado com perigo na primeira jogada, para outra
boa defesa de Courtois.


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