É uma daquelas coincidências sensacionais que o destino prega. Quando
Fernando Muslera foi expulso por cometer um pênalti aos 45 minutos do
segundo tempo, Felipe Melo
encaminhou-se praticamente de imediato até o uruguaio para pegar suas
luvas. A poucos metros dali estava Claudio Taffarel, preparador de
goleiros do Galatasaray e ídolo de cada brasileiro em especial nas Copas
do Mundo de 1994 e 1998. O volante superou as três substituições já
realizadas e incorporou o espírito do antigo camisa 1 para defender a
cobrança de Türkdogan. A vitória de seu time sobre o Elazigspor, por 1 a
0, estava garantida. E o líder do Campeonato Turco teve um herói às
avessas.
- O Taffarel mesmo brincou e falou "sai que é sua, Felipe Melo!".
Quando acabou o jogo ele correu em minha direção e me abraçou. Não falou
nada antes porque não tinha muito o que falar. Não dá para escolher
esquerda, direita. Mas confesso que me ajudou bastante depois do
pênalti. Houve uma falta na entrada da área e eu não sabia quantos
homens na barreira eu colocava. Ele soube que iriam cruzar e me
aconselhou a pedir um só. É um cara que ganhou tudo. Depois de pegar o
pênalti é que não iria tomar o gol, não é? - disse em entrevista ao
GLOBOESPORTE.COM o "Pitbull", como é conhecido pela torcida, antes mesmo
de a bola sair pela lateral.
Felipe não teve problemas em admitir que adiantou-se alguns centímetros
antes de pular para o lado direito. Talvez por ser praticamente uma
novidade ao longo de sua carreira - ele já viveu a mesma experiência em
2006, quando Ronaldinho converteu a cobrança pelo Barcelona contra o
Racing Santander. Ou pelo momento de heroísmo.
- É igual quando se faz um golaço de bicicleta irregular. O juiz tem
que passar a mão na cabeça (risos). Eu não tenho cacoete de goleiro para
ficar parado. Só me dei conta que caminhei depois que vi o vídeo. Tenho
na cabeça eu olhando nos olhos do atacante, estava muito confiante
mesmo. O problema é que o gol ficou gigante, não sabia para qual lado
ir. A sorte é que ele bateu mais ou menos como eu, olhando para o
goleiro até o último momento. Fingi que ia para um lado e caí para o
outro. Saber que vai pegar o pênalti é uma sensação muito gostosa. Só
tive que fazer a bola sair pela lateral - contou o camisa 10, idolatrado
até mesmo numa partida fora de casa.


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